Repensar a cooperação

Em 2009 102 cooperantes europeus foram mortos em países em vias de desenvolvimento e 92 foram raptados. A vulnerabilidade dos trabalhadores humanitários aumentou exponencialmente. Mas,a segurança no terreno é apenas uma das facetas do debate que está ser feito sobre a ajuda ao desenvolvimento.

A libertação dos dois cooperantes espanhóis Albert Vilalta y Roque Pascual – depois de 268 dias nas mãos dos militantes da Al-Qaeda no Magrebe Islâmico (Aqmi) –  lançou um novo debate sobre o impacto de alguma ajuda ao desenvolvimento, a desadequação  dos métodos das ONGs  e mesmo falta de profissionalismo de algumas delas.

Apenas um exemplo, vindo da Guiné-Bissau, retratado no Jornal de Notícias de 04.08.2010 : a cooperação internacional, incluindo as Nações Unidas, paga a construção de poços onde se acumula água muito poluída. Estes poços são escavados no máximo a 20 metros de profundidade e para eles escorre toda a porcaria, num país onde pessoas e animais defecam ao ar livre, os porcos chapinham na água junto aos poços e há seis meses de chuva intensa. Nesses poços, uma equipa do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) encontrou ratazanas, bactérias e vírus (muito à vontade numa água que chega aos 31 graus) e um grau de acidez próximo do limão.

Muito diferente seria se, em vez de poços, os guineenses pudessem tirar água de furos, cuja profundidade vai além de uma camada de argila impermeabilizadora que contém as águas pluviais. Uma solução fácil e barata. A ONG espanhola AIDA provou que os furos podem ser uma solução – com financiamento de 100 mil euros, doados pela Junta Autónoma da Galiza, construiu uma rede de fontanários nos bairros de Bolama, captando água em furos. A incidência de diarreia desceu para metade. Não é preciso muito dinheiro para melhorar a qualidade de vida das pessoas na Guiné”, sublinha Adriano Bordalo e Sá do ICBAS, lamentando que a ajuda internacional não recorra aos dados científicos apurados para tomar decisões fundamentais, algumas delas fáceis de executar.


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