“Mudness”

A entrevistar o grupo português Fadomorse, em 2008

É um daqueles países com um pé no mundo (hiper)desenvolvido e outro no mundo em desenvolvimento. País de uma beleza perturbante e de uma delicadeza quase subversiva.

A Malásia não é apenas o país dos caçadores de cabeças, dos orangotangos, das Torres Petronas e do concurso “Íman procura-se”. Para o caso de termos esquecido que a música procura “fixar o cântico disperso na luz, na água e no vento” e nos traz “aquele outrora”, há um festival na Malásia que é mais do que um nome apontado num caderno de eventos de qualquer jornal.

 A catorze horas de distância e vários fusos horários de Frankfurt fica Kuching, a capital de Sarawak. É aqui que aterrei para, pela segunda vez, assistir,   de 9 a 11 de Julho, a um festival de características únicas, o Rainforest World Music Festival 2010, reconhecido pela UNESCO como património da Humanidade.

 No sopé do Monte Santubong, em plena floresta tropical, fica a  Sarawak Cultural Village –  que acolheu os três dias de festival –  um museu vivo da herança e da história dos Iban, Bidayuh, Orang Ulu, Penan e outros grupos étnicos do Bornéu. É aqui, nas casas tradicionais dos nativos, como a Iban Longhouse, que bate o coração do festival. Ao contrário de outros eventos do género o RWMF promove o contacto entre os músicos e os melómanos. As tardes são ocupadas com workshops e lições de etnomusicologia. Sentados no chão de ripas de bambu ou de madeira, os visitantes deixam-se rapidamente contagiar pelas performances apaixonadas dos músicos e pelas sessões de jam.

 A beleza das cordas de chuva amarrando a noite transforma o espaço em frente aos dois palcos num lamaçal. O que não desencoraja os espectadores. Apesar de estarmos num país muçulmano álcool é permitido ( já o consumo e tráfico de droga equivale a pena de morte  ) e as hormonas próprias da adolescência ( ou da adolescência tardia)  conferem ao festival uma boa dose de “Mudness”.

Vinte bandas de todo o mundo – entre elas os  portugueses Galandum Galundaina, um grupo  de estudiosos da tradição mirandesa e seus afluentes, que fascinaram com as suas polifonias vocais, a sanfona e gaita mirandesa – transformaram o local numa rave de world music.

 Esqueçam quem diz “ir a Veneza e depois morrer”. Não! Correcto mesmo é ir ao RWMF e depois morrer!

PS- As minhas centenas de fotografias de 2010 ainda estão à espera de serem descarregadas… E as aventuras com os orangotangos  e em Kuala Lumpur ficam para depois.


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