De regresso aos aeroportos

Sete horas, inesperadas,  de espera no aeroporto de Bona. Sete horas nessa espécie de paradoxo kafkiano que é estar num aeroporto sem partir, mas sem poder abandonar a espera. Sete horas de absoluta liberdade para ler as viagens com Herodoto do Kapuscinski.Peregrinei pela Índia e pela China, regressei ao Cairo. Obrigada ao vulcão que me levou tão longe. Lido o livro, desentorpeci as pernas na livraria, rendi-me ao superficial, comprei a Hola  e acordei os sentidos com um cappuccino.

Desperta entrei no Boeing onde me deram as boas-vindas a um  “vôo não fumador” . Se a frase é superflua – há anos que desapareceu o fumo a bordo – o que dizer das tautologias “ Tschüss und Auf Wiedersehen”. Porquê as duas variantes da despedida ? Para poder decidir se sou uma viajante conservadora e escolho um formal Auf Wiedersehen ou sinto-me tocada pelo mundano Tschüss, sinal da minha abertura? Faz-me falta o Barthes para interpretar este sistema de meta-mensagens. Mas, como já passa da  meia-noite no momento em que escrevo, digo em sintonia com José Régio “ não sei por onde vou, mas sei que não vou por aí.”


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