Fome em Portugal

Sou confrontada diariamente com os dramas dos países africanos. Vi-os no terreno, senti-lhes os cheiros, percorri-lhes a topografia de horrores, sofri-lhes o luto. Mergulho neles durante semanas.Vejo, escuto, questiono.  Indigno-me. Depois regresso ao conforto da Europa e tenho a polifonia  das agências noticiosas como despertar de consciência.

Muitas guerras depois, muitas estradas semeadas de minas, África ainda paga a hipoteca do colonialismo, do abandono e o saque dos seus líderes-libertadores. Saindo do vasto território de sombras que é África, os rostos da pobreza atravessam-se na minha frente, aqui na Europa. E não é preciso ir à Roménia ou à Bulgaria. Olhe-se para  Portugal.

A VISÃO de 15.04 trazia uma extraordinária reportagem sobre a fome em Portugal. As histórias que lá se contam, terríveis, são uma praia farpada a medo. No mar, os Iates dos que recebem bónus e se resguardam nas fortalezas dos condonímios fechados, na areia os pobres de sempre e os novos pobres de classe média, que aumentaram assustadoramente no país com a maior desigualdade social da Europa. Passa-se fome em Portugal, enforca-se o estômago diariamente. Uma verdade que ninguém quer admitir.


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