Mudou a hora

Vivemos em plena era da sacralização da mudança. A mudança é o papa laico dos tempos modernos. Mudamos  de canal, mudamos de casa,  mudamos de ideias, mudamos de país, mudamos de livros, só não mudamos de hábitos ou dificilmente. Numa deriva de movimento que nos entretem e nos faz esquecer a nossa brevidade. Deixámos de indagar quem somos.

Quem não quiser ser moderno , quem  não quiser  estar sempre aberto à novidade  é arredado na civilização ocidental como retrógrado e inconveniente. A não ser que seja de uma outra civilização – a tradição,  a dos outros claro, tem enorme impacto nos espíritos relativistas contemporâneos.

Diz Érico Veríssimo  que “quando os ventos de mudança sopram, umas pessoas levantam barreiras, outras constroem moinhos de vento”. Não ergo barreiras, mas também recuso cataventos. Estou cada vez mais avessa à mudança pela mudança , à anestesia dos espíritos pela rapidez, à insustentável leveza do pensamento. A passagem dos anos  ajuda a peneirar,  a distinguir os grãos de ouro da vida das pedras brilhantes . O tempo é o templo.

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