É a música, estúpido

Nas coisas grandes, os países tendem a tornar-se cada vez mais parecidos uns com os outros. Nas coisas pequenas encontramos as diferenças culturais que, às vezes, nos levam a manter alguma esperança na espécie humana.

Apesar da crise económica, da multiplicação de keyboards baratos e de jogos como Guitar Hero,  venderam-se na Alemanha em 2009 cerca de 18 mil pianos e pianos de cauda. Instrumentos que custam tanto como automóveis pequenos.  Aqui sobem-se escadas, 13 andares, para entregar um Bechstein. Em cada escola há uma orquestra, que toca Mozart, Mendelssohn, Beethoven e Debussy. Em cada localidade  há um coro. Lêem-se pautas. Os adolescentes conhecem e apreciam Anne Sophie Mutter.  Os concertos de música clássica esgotam. Enchem estádios. Há quem faça centenas de quilómetros para ir à ópera ou ver um concerto. Os jornais dedicam-lhe páginas, fazem honra de capa.

O amor alemão ( e o austríaco acrescente-se) pela música resulta estranho a olhos portugueses, onde a iletracia musical é enorme, onde a música só interessa como entretenimento – as Ruthes Marlenes ou os Zés Cabra desta vida enchem os talk shows televisivos –  tudo o que foge disso é rejeitado , “we are all now entertainers”, como cantavam os Nirvana.

Só a razão não pode fornecer toda a resposta do homem à realidade. E a música  como a de Mozart roça o divino.

 Escrevi isto (ver em baixo) para o Público em 2006

http://www.publico.pt/Cultura/mozart-salzburgo-rendese-ao-seu-genio_1246025


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