Não é bullying, é mesmo má educação.

O que se passa nas escolas portuguesas não é nada de novo e em simultâneo é algo aterrador. Alunos tiranos que tiranizam colegas e professores. Professores desautorizados. Professores que substituem a família. Pais alheios por conivência, conveniência ou indiferença. Nada de novo, porque sucede há anos.

Foram precisas duas mortes violentas – a do aluno que se atirou ao Tua e a professor de música de Fitares – para que as consciências despertassem. E importa aproveitar o momento para reflectir para que casos semelhantes não se repitam.

 As causas da violência na escola são complexas. A causa mais evidente é que a escola reproduz a sociedade e na sociedade há violência. E a que custa mais a encarar de frente: o comportamento de alguns alunos, na fronteira entre a indisciplina e a agressão, espelha uma educação permissiva. Muitos pais esquecem-se que a disciplina na educação é tão importante como o amor. As crianças e sobretudo os adolescentes precisam de regras, de orientações, de directrizes traçadas pelos pais. Podem discordar, mas odeiam pais demitidos ou desinteressados.

Daniel Sampaio insurgia-se na “ PÚBLICA”, e muito bem, contra a “escola-armazém”, onde os rebentos são depositados pela manhã e recolhidos ao final do dia por progenitores stressados, sem disponibilidade, sem prazer no convívio com os filhos. Algo vai muito mal na sociedade portuguesa quando se tenta substituir a família pela escola.

Como reagir à deterioração do clima nas escolas? Com tolerância zero contra a indisciplina (e indisciplina é o “insignificante” facto de ter o telemóvel ligado na aula). Cito Daniel Sampaio: “ a degradação do clima nas escolas progride por estádios, desde a recusa de regras na turma e pouco trabalho, até actos graves de delinquência (agressão a professores, destruição de material escolar) com etapas intermédias de pequenos delitos, comportamentos provocatórios que denunciam uma violência latente”. Ou seja, se o pequeno incidente de indisciplina é desvalorizado, se não uma houver resposta imediata correctiva está-se a criar uma bomba relógio.

É ainda importante reforçar a autoridade (não o autoritarismo) dos docentes e envolver alunos e pais – por exemplo através de conselhos de mediação de conflitos disciplinares (existem aqui na Alemanha e são muito eficazes).

E os maus educadores, porque os há, tenham paciência os politicamente correctos, têm de ser responsabilizados, punidos, e nalguns casos apoiados. Fechar os olhos por medo  – porque os meninos e as meninas problemáticas vêm de famílias influentes, ou de famílias desestruturadas, ou de minorias étnicas com maior “propensão” para a agressão – não é a solução.

O maior problema das escolas portuguesas não é o bullying é mesmo a má educação, em sentido literal.


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