O Baú

Mia Couto disse uma vez que a  poesia é um modo de ler o mundo e escrever nele outro mundo. É um olhar revelador de mistérios, um espaço de fronteira. Acrescento. É um caminho que atravessa outras terras , outras gentes.

Ontem,  alguém que se anda a despedir ofereceu-me vários livros de poesia brasileira. Rodrigo Solano, Olavo Bilac, Mario Quintana. Alguns  dos livros são  antigos, quase centenários, com dedicatórias pessoais para quem não conheci. Nas suas páginas amarelecidas escondem-se “estranhas lembranças de outras vidas, que outros viveram, num estranho mundo , quantas coisas perdidas e esquecidas” no seu baú de espantos.

Os poemas num mundo dominado pela tecnologia, pela rapidez, pela falta de respiração, pela desmemória, são sobreviventes . Peço emprestada a definição a Ferreira Gullar  ” O poema é uma coisa que não tem nada dentro, a não ser o ressoar de uma imprecisa voz que não quer se apagar— essa voz somos nós.”


2 thoughts on “O Baú

  1. Gosto muito de livros antigos.
    Uma vez em casa da minha avó na Madeira, fui à cave e comecei a espreitar para dentro de livros que estavam lá, alguns deles também já tinham quase 100 anos…

    Gostar

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