Do lado certo

Fotografia de Ricardo Rangel

Uma noite em Setembro de 2009. Depois de um concerto no centro cultural franco-moçambicano partimos para  “a noite” de Maputo. Perguntaram-me queres ver a zona da prostituição? Muarramuassar (significa procurar, vasculhar) está-me nas entranhas. Aceitei.

Conhecia as “catorzinhas” dos livros de Mia Couto e de Pepetela, mas queria ver a sordidez de perto. Ver os anjos roubados de dignidade, marginais de noite, marginais de dia. Troféus de lata. Fiquei enojada.

Bastaram-me três semanas em Moçambique para perceber que por aqui as amantes jovens são divisas apetecidas que enfeitam lapelas de muitos locais e de expatriados. Casadíssimos. Pais de família. A virilidade para alguns mede-se pela quantidade de meninas que coleccionam. Claro que nenhum destes predadores ignora que se está a aproveitar da miséria instalada. E que a “virilidade” tem um nome. Pedofilia.

Lembrei-me destas meninas-mulheres porque amanhã é o Dia Internacional da Mulher. Para algumas, as que nasceram do lado certo da vida.


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