Em busca do tempo

Encontrar tempo para ir simplesmente dançar.

Se tivesse um desejo livre era o que pediria.

Na loucura desenfreada dos dias dei por mim a pensar na última vez que sai para dançar. Dei-me conta que foi no final de Setembro, em Maputo, e por um mero acaso. O avião da TAP falhou o voo, a estadia prolongou-se por uma noite inesperada e a generosidade dos amigos acendeu-me a alegria de dançar. Na naquela noite na Baixa de Maputo, conduzida pacientemente por um francês, tentei  os passos das danças africanas. “Deixa-te levar ”, dizia-me com um sotaque mais doce que  macarons, enquanto deslizávamos.  Naquele terraço, sem querer demonstrar nada – e era impossível face à imponência dos pares que rodopiavam e se entrelaçavam ao ritmo da música –, sem olhar para quem dançava ao lado,  rodopiei e cacei a liberdade que anda tão rara em dias cheios. “Quem dança/Não é quem levanta poeira/Quem dança/é quem reinventa o chão”.

Enquanto estou em abstinência de viagens e entregue nas mãos de  tiranos, de seu nome planeamento de projecto e reuniões , aspiro pelo tempo para ir ao encontro do que é surpreendente, poder abrir portas e páginas. Até já, o Excel chama-me.

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Ficção científica? Não, Suécia.

Hannes Sjöblad não necessita de cartão de identificação para entrar no escritório, nem no ginásio. Para desbloquear o telemóvel não necessita de código, basta aproximar a mão. No inverno passado o sueco implantou na mão um chip, do tamanho de um grão de milho, que contém todas as suas informações pessoais e códigos. O que parece ficção científica tornou-se na Suécia há muito realidade, pelo menos 300 pessoas já implantaram um RFID-chip. Em breve os chips suecos substituirão os cartões de débito e de crédito, assim como serão suficientes para embarcar num avião.

Não sei muito bem o que pensar desta possibilidade que a ciência nos oferece. Se por outro vejo a sua componente prática ( não ter de decorar pins, transportar cartões e documentos de identificação) por outro lado ela abre, não escancara a porta da vigilância total e da transparência total.

( agora que me dava jeito um chip destes para substituir as chaves de casa e do carro, sempre perdidas nas catacumbas da minha mala de mão, ou o cartão da garagem, dava)

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Postais de Berlim

( a minha ausência explicada em imagens)

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Das notícias que nos arrancam um sorriso

Com invejáveis 109 anos Alfred Date não é apenas o homem mais velho da Austrália, mas também tem uma dos mais extraordinários hobbies: tricotar camisolas para pinguins.
Como consequência da catástrofe petrolífera de 2013 no Great Barrier Reef,muitos pinguins perderam a pelagem e eram incapazes de se manter quentes. Respondendo ao apelo de uma organização de protecção dos pinguins anões o idoso tricotou para as ternurentas aves e o resultado pode ser visto na imagem em baixo.

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É Carnaval, ninguém leva a mal

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Entre projectos, contratos, planeamento há tempo para festejar e para rir de si e com os outros.

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Da palmada no rabinho

O discurso do bem cabe em poucas afirmações. Os pais querem o melhor para os filhos. Há que disciplinar para não tornar a criança num “tirano”. O pai ou mãe não são amigalhaços. Perante estes factos , e todos os factos são sempre inquestionáveis no discurso do bem, bater nos filhos é  um “direito”. Se lhe quiserem “sacudir as moscas” podem.  E alguns progenitores também o fazem. Interregno para vómito.

Li com espanto  e confesso alguma repulsa as declarações do Papa Francisco sobre “a palmadinha no rabinho das crianças”. Numa audiência geral terá desvalorizado a palmada desde que não fosse dada no rosto. Esteve mal, muito mal o Papa.

Os filhos confiam nos pais, como mapa e bússola para vida, agarram-se à essa confiança ( e a esse amor) como um bote de salvação num mar revolto. Cada palmada, cada grito é uma cicatriz.

As crianças e os jovens têm o inalienável direito à integridade do seu corpo e a uma educação livre de violência. Quanto mais cedo se começar a falar com as crianças sobre estes temas, maior será a prevenção e a detecção dos casos de abuso, ou seja, a possibilidade de criarmos adultos autónomos e equilibrados ( com menor probabilidade de baterem nas mulheres e nos seus próprios filhos).

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O reconciliador

Richard von Weizsäcker, filho de uma família de diplomatas, tinha o raro dom da palavra. Pesava-as na balança de ourives.

Nunca antes tinha acontecido na Alemanha. Por todo o país as pessoas precipitaram-se para as livrarias para comprar o livro de um político. Não um livro qualquer, mas o que continha o discurso do presidente, perante o Bundestag, a 8 de Maio de 1985. Esta intervenção, no quadragésimo aniversário do final da Segunda Guerra mudaria a Alemanha. “O 8 de Maio de 1945 não é o dia da capitulação, mas da libertação da Alemanha”. Pela primeira vez um presidente falava abertamente dos crimes do nazismo, da culpa alemã e da “graça de um novo início”.

O ex-presidente alemão, que esteve envolvido na tentativa de atentado contra Adolf Hitler a 20 de Junho de 1944, o primeiro da Alemanha unificada tornou-se numa das personalidades políticas mais respeitadas da política alemã nas últimas décadas. Durante a década em que foi chefe de Estado empenhou-se na reconciliação com Israel e com a Europa de Leste, convicto que apenas a memória e não o recalcamento da culpa assegurariam o Nie Wieder.

Fazem-nos falta políticos assim.

PS- escrevi estas linhas no aeroporto a caminho de Berlim, não lhe fazem justiça.

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