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Houston, we have a problem…

Os dias iguais, rotineiros, são ensaios de eternidade. Cada um escolhe a sua prisão ou a forma de evasão.
Depois de horas, longas, frente ao computador quero o suposto. Quero amarar num porto de crónicas, costurar estrelas, passear-me por parágrafos que me transportem a casas com cor, ruas poeirentas, a uma tenda no deserto. Embalada dou por mim na página de uma livraria online a encomendar livros. Antes de contar até três. Clique. Operação concluída, livros pagos. Pareço uma miúda em frente a algodão doce. Desprendo os os olhos do monitor e algures no meu cérebro dispara um alarme, “Houston, we have a problem”: dizer que estou a ficar sem espaço para arrumar mais livros é um eufemismo. Cada gazela tem o seu leão…

“Um leitor vive mil vidas antes de morrer, o homem que nunca lê vive apenas uma.”

(George R. R. Martin – As Crônicas de Gelo e Fogo)

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Abriu a primeira biblioteca pública da Guiné

HFG, Mercado do Bandim, Bissau 23.03.12

A capital guineense tem a partir de hoje a primeira biblioteca pública do país, um esforço de uma organização não-governamental (ONG) portuguesa que quer no próximo ano criar uma rede de bibliotecas itinerantes.

Sem cerimónia formal, a biblioteca, junto da Faculdade de Direito e perto de dois dos bairros mais populosos da capital da Guiné-Bissau, foi apresentada por duas responsáveis da ONG “Afectos com Letras” que com elas trouxeram 13.500 livros de Portugal. “Tivemos conhecimento nas nossas vindas anteriores, de missões solidárias
que fizemos, da falta que faziam livros em Bissau, da necessidade que os estudantes e a população em geral tinham de ler, e da vontade de ler”, diz Joana Benzinho, fundadora da ONG, acrescentando que o projeto teve o entusiasmo do anterior Governo e de doadores em Portugal.

Foi assim que numa campanha de três meses, dos 4.500 livros cedidos por uma biblioteca de Pombal se chegou aos 13.500 livros, hoje devidamente catalogados e arrumados numa sala cedida pelo Instituto Politécnico Benhoblô, perto dos bairros da Cooperação e Militar.

LUSA

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No book, no sex

O amor pelos livros exprime-se às vezes de maneira inesperada : andava eu a pesquisar sobre as relações polaco-germânicas quando deparei no Google com resultados que nada tinham a ver com objecto da consulta. Um deles prendeu-me a atenção. Tratava-se de uma campanha de incentivo à leitura na Polónia. Neste país vizinho da Alemanha apenas 44 por cento da população leu um livro no ano passado (incluindo álbuns, dicionários e livros de culinária).O mais chocante é que a estatística indica que 20 por cento dos polacos com um curso superior não tinham lido um único livro nos últimos anos. Face a esta desolação lançou-se uma campanha com um cartaz, digamos, curioso: duas loiras seminuas, estão de livro aberto sobre a cama e ameaçam: “Se não lês, não vou para a cama contigo.”

Quanto a vocês não sei, mas eu, que gosto de ler na cama, de ser uma viajante sem mapas no itinerário imprevisto dos livros, de procurar harmonias secretas, amores possíveis, felizes, impossíveis, esbirros e poetas, desolação e beleza, o espião perfeito, ao correr da páginas, simpatizo com a campanha. Até para se ter bom sexo é preciso bom gosto. Sabem do que estou a falar. Se não sabem, tenho muita pena. Só lamento que não haja uma versão masculina do cartaz.

“Vejo-te ler. Devoravas os livros, com as mãos, com os olhos, com o teu corpo. Adormecia em cima deles, na praia, na cama, no sofá, sublinháva-los, acrescentava frases, exclamações. Lias tudo… (…) Tinhas pressa de recuperar o Tolstoi, o Cervantes e o Proust que não te haviam dado a ler na juventude.”
Inês Pedrosa, in Fazes-me falta

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Que livro levaria para uma ilha deserta?

É um evergreen. A pergunta faz-se em todos os idiomas e a resposta pode ser embaraçosa ou previsível. Irritantemente previsível.  Que livro levar para uma ilha deserta? O Ulysses cheio das suas suas pequenas odisseias? A poesia de Sophia onde “Não há nenhum vestígio de impureza,/Aqui onde há somente/Ondas tombando ininterruptamente,/Puro espaço e lúcida unidade,/Aqui o tempo apaixonadamente /Encontra a própria liberdade” ? A África imensa e sofrida do Mia Couto, da Paulina Chiziane ou do Agualusa ? A mitologia grega? A Bíblia?

Não consigo encontrar resposta para esta pergunta. Gosto de recomeçar sem cessar a partir da página, não em branco como Sophia, mas da página escrita. Nenhum livro sacia a minha fome. Talvez por isso, se tivesse de fazer uma escolha, levaria debaixo do um manual de construção de jangadas. Para sair da ilha depressa e  ir abraçar a vida. Que não se quer perfeita. Nem sozinha.

By the way, prefiro aeroportos a ilhas desertas. Há quem coleccione relógios, estátuas ou selos. Eu colecciono aeroportos. Do extraordinário Osvaldo Vieira, em Bissau, ao luxuoso Changi, em Singapura, com os seus tapetes de orquídeas e cadeiras de massagens. Guardo para cada um deles um bloquinho , onde se  anota a desconfiança ou a paixão, a traição – os favoritos são efémeros – ou a fidelidade. Como nas histórias de amor. Os aeroportos despertam-me o desejo de os calcorrear, explorar. Têm tudo o que gosto. Pessoas singulares, cores, cheiros, “estórias”. Um mar de possibilidades. E têm compassos de espera. O tempo no seu estado mais cristalino. Momentos de liberdade absoluta em que se pode fazer tudo – ler aquele romance de quinhentas páginas, ler o jornal todo incluindo os fait-divers e os suplementos que não costumamos abrir – ou não fazer nada.

PS- Até breve. Regresso ao verde mãe da Amazónia por duas semanas.

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Em que livro gostaria de viver?

A pergunta não é minha. É do blog Papeles Perdidos do El Pais. E é uma pergunta díficil.

Em que livro gostaria de viver? Não sei se gostaria de viver só num lugar ou num só livro. Tenho tantas viagens dentro de mim. Gosto do azul dentro do azul, quando a quilha roça a àgua, do verde a beijar o verde nas florestas aquáticas da Amazónia, dos desertos e do abismo dos canyons. Gosto do embalo da palavra, tanto que em mim alguns livros nunca têm pressa. Paixões, desamores, traições, amores eternos.

Parafraseando o Mia Couto “não posso acabar todo inteiro num único lugar. Já tenho os sítios onde irei morrer, um bocadinho em cada um.”

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O meu livro de cabeceira

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Os livros

O Pedro Correia convidou-me a despir em público. Desnudar o gosto literário entenda-se. Os livros de que se gosta deviam ser um dos últimos redutos do pudor. Não por receio da crítica alheia, mas porque a leitura é para mim a antítese do público. É íntima, deixa marcas, bocados de perfeição, provoca ódios e comoções, contém a infinita possibilidade das palavras. Como desde que comecei a escrever o blog tenho desnudado estados de alma, seria incoerente não responder.  Dou-me por vencida. Eis as respostas :

1. Existe um livro que relerias várias vezes?
Tantos. Se Isto é Um Homem, de Primo Levi, Female Nomads and Friends, de Rita Golden Gelman, Jenseits von Afrika, de Tania Blixen , Fünf Deutschland und ein Leben, de Fritz Stern, The Grapes of Wrath , de John Steinbeck, O Processo, de Kafka. O Estrangeiro, de Camus, Baía dos Tigres, de Pedro Rosa Mendes, todos os livros de Ryszard Kapuscinski, e muitos, muitos de Mia Couto.
2. Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?
A Ratazana, de Günter Grass.
3. Se escolhesses um livro para ler no resto da tua vida, qual seria?
Podem ser três? A Rosa do Mundo, Tradutor de Chuvas, e uma colectânea da poesias de Sophia.
4. Que livro gostarias de ter lido mas que, por algum motivo, nunca leste?
Fanny Owen .
5. Que livro leste cuja “cena final” jamais conseguiste esquecer?
Se Isto é Um Homem. “ Jazíamos num mundo de mortos e larvas. O último vestígio de civilização desaparecera à nossa volta e dentro de nós. A obra de animalização, começada pelos alemães triunfantes, fora levada a cabo pelos alemães derrotados. É homem quem mata, é homem quem faz ou sofre injustiças; não é homem quem divide a cama com um cadáver,Quem esperou que o seu vizinho acabasse de morrer para lhe tirar um quarto de pão”.
6. Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual era o tipo de leitura?
Era uma leitora compulsiva. Dos livros clássicos para “crianças” – Cavaleiro da Dinamarca, Menina do Mar, Os Cinco, os Sete, A Condessa de Ségur, Astérix, Meu pé de Laranja Lima – até aos “censurados” .
7. Qual o livro que achaste chato mas ainda assim leste até ao fim? Porquê?
Evangelho segundo Jesus Cristo, do Saramago
8. Indica alguns dos teus livros preferidos.
Shantaram ( Gregory David Roberts) Por quem os Sinos Dobram (Ernest Hemingway). O Retrato de Dorian Gray (Oscar Wilde). Contos de Natal (Charles Dickens), Gente Feliz com Lágrimas ( João de Melo), Tradutor de Chuvas ( Mia Couto), Terra Sonâmbula (Mia Couto), O Último Voo do Flamingo (Mia Couto), Der Spion, der aus der Kälte kam ( John Le Carre), La Coca ( José Rentes de Carvalho), Morte em Veneza (Thomas Mann), A Montanha Mágica (Thomas Mann), O Estrangeiro ( Albert Camus) etc, etc, etc
9. Que livro estás a ler?
Acabadinhos de comprar em Joanesburgo, African Women Writing Resistence e Conversations with Myself, de Nelson Madela
10. Indica dez amigos para responderem a este inquérito.
Amigos pessoais e dos blogs: O Fernando de Sousa, a Helena Araújo, o Rui Zink, o José Milhazes, a Arlete Soffiati,a Alexandra Lucas Coelho, a Andreia Azevedo Soares, o Francisco José Viegas e a Gi. E fica(m)em aberto o(s )restante(s).

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E-Books?

A idade vai-nos tornando mais sábios e coloca as coisas em perspectiva.Para mim uma pessoa sem memória é como um navegador sem bússola. No balanço entre as coisas que recordo e as procuro esquecer ficam sobretudo aquelas associadas aos livros, aos meus livros. Em papel.

Recentemente um amigo perguntava-me quando é que me rendia aos E-books. Fiquei a pensar na questão. Depois desci à cave e lá estava alinhada na estante, com as páginas amareladas,  ao lado dos meus livros de infância, a colecção completa das “Aventuras dos Cinco”, que o meu pai me ofereceu num aniversário longínquo. Nunca consegui desfazer-me dela. E então tive a prova da the uniqueness, da singularidade, da relação com cada um dos meus livros. Uma relação táctil e emocional, feita de notas a lápis, de flores secas, de recortes de jornal entre as páginas, de dedicatórias e de locais.

Na minha biblioteca há os livros “de África”, lidos em Bissau, no Cairo ou em Maputo, quando o céu está claro, lavado pela tempestade, quase azul. Há os livros “da Ásia”, que se enfeitam com a luz insolentemente bela de Malaca ou sustentando a raridade dos momentos em Sarawak. Há os “alemães”, muitos, muitos, e “os dos amigos”. E há aqueles que ensinam “não te agarres nunca, apoia-te só”. Extraordinária filosofia de liberdade.

Não  sei conseguiria sentir a mesma relação de encantamento se descobrisse pousado sobre a secretária um  Kindle ou um Ipad.

PS- Há pouco tempo chegaram aqui a casa dois envelopes contendo “mimos de papel”. A Margarida teve a gentileza de me oferecer o “Novo Dicionário do Islão” e o João enviou-me a “A Nossa Telefonia”. Aos dois um enorme obrigado.

 

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A propósito da Feira do Livro de Frankfurt

 

Uma vez mais a capital financeira da Alemanha, Frankfurt, vai acolher a superlativa Feira do Livro. Este ano o país convidado é a Argentina de José Luis Borges. Um milhar de autores – não posso dizer escritores porque muitos deles não o  são – passará pelos corredores da Feira. Quem sabe entre eles não esteja o próximo Nobel?

De tudo o que li sobre a Feira – este ano ao contrário do que é hábito não fui à sessão de abertura, nem às conferências de imprensa – retive na memória as palavras do director Juergen Boos. “A fome de realidade aumenta, à medida que a nossa vida se torna mais digital”.

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O Baú

Mia Couto disse uma vez que a  poesia é um modo de ler o mundo e escrever nele outro mundo. É um olhar revelador de mistérios, um espaço de fronteira. Acrescento. É um caminho que atravessa outras terras , outras gentes.

Ontem,  alguém que se anda a despedir ofereceu-me vários livros de poesia brasileira. Rodrigo Solano, Olavo Bilac, Mario Quintana. Alguns  dos livros são  antigos, quase centenários, com dedicatórias pessoais para quem não conheci. Nas suas páginas amarelecidas escondem-se “estranhas lembranças de outras vidas, que outros viveram, num estranho mundo , quantas coisas perdidas e esquecidas” no seu baú de espantos.

Os poemas num mundo dominado pela tecnologia, pela rapidez, pela falta de respiração, pela desmemória, são sobreviventes . Peço emprestada a definição a Ferreira Gullar  ” O poema é uma coisa que não tem nada dentro, a não ser o ressoar de uma imprecisa voz que não quer se apagar— essa voz somos nós.”

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Música para camaleões

É o último livro acabado de Truman Capote. Reúne contos,  ficção e não ficção. Pura literatura.

Um dos contos, o que dá nome ao livro, inspirou o nome deste Blog.  Partilho-o, porque os fantasmas moram aqui e não nas trevas.

 

” Ela é alta e esbelta, tem uns setenta anos, cabelos grisalhos, é bem cuidada, nem preta nem branca, de uma cor dourada e clara de rum. É uma aristocrata da Martinica que vive em Fort-de-France, mas também tem um apartamento em Paris. Estamos sentados no terraço de sua casa, uma casa arejada e elegante, que parece toda feita de renda de madeira: lembra certas casas antigas de Nova Orleans. Tomamos chá de hortelã gelado, levemente temperado com absinto. Três camaleões verdes perseguem-se uns aos outros pelo terraço; um deles faz uma pausa aos pés de Madame, exibindo a língua bífida, e ela comenta:
- “Camaleões. Criaturas excepcionais. A maneira como mudam de cor. Vermelho. Amarelo. Verde-limão. Cor-de-rosa. Lilás-claro. Sabia que adoram música?”
Ela contempla-me com seus belos olhos negros.
- “Não acredita?”
Madame passara toda a tarde me contando muitas coisas curiosas. Como à noite seu jardim ficava cheio de imensas mariposas nocturnas. Relevou-me que o seu motorista, uma figura de grande dignidade que me conduzira até a casa dela num Mercedes verde-escuro, tinha sido condenado por envenenar a mulher mas fugira da ilha do Diabo. E descrevera uma aldeia, no alto das montanhas do norte, totalmente habitada por albinos:
- “Pessoinhas de olhos cor-de-rosa, brancas como giz. Ocasionalmente podemos ver algumas delas nas ruas de Fort-de-France”. - “Sim, é claro, acredito.”
Ela inclina de lado a cabeça prateada.
- “Não, não acredita. Mas vou provar.”
Com essas palavras, Madame entra no salão fresco caribenho, um aposento sombreado com ventoinhas de tecto que giram devagar, e instala-se num piano bem afinado. Continuo sentado na varanda, de onde consigo observar essa mulher sofisticada e idosa, produto de sangues variados. Ela começa a executar uma sonata de Mozart. Aos poucos, os camaleões vão-se juntando; uma dúzia, mais uma dúzia, na maioria verdes, alguns escarlates, outros lilases. Deambulavam na varanda e aglomeravam-se à porta do salão, uma plateia sensível e atenta à música. Que parou, porque de repente minha anfitriã se levantou e bateu o pé, ao que os camaleões se espalharam como fagulhas desprendidas por uma estrela que explodisse.
Então, ela encara-me.
- “Et maintenant? C’est vrai?”
- “De facto. Mas parece tão estranho.”
Ela sorri.
- “Alors. Esta ilha inteira nada em estranheza. Esta casa, por exemplo, é assombrada. Muitos fantasmas moram aqui. E não nas trevas. Alguns deles aparecem à luz forte do meio-dia; mais atrevidos. Impertinentes.”

in “Música para Camaleões”, de Truman Capote, 1980 (excerto)”

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Leya ou não leia

Há algumas semanas, fui surpreendido por esta notícia:

“Dezenas de milhares de livros de Jorge de Sena, Eugénio

de Andrade, Eduardo Lourenço e Vasco Graça Moura,

publicados pela ASA ao longo da última década, foram

destruídos recentemente pelo Grupo Leya. (…) Nos 96

títulos atingidos incluem-se obras marcantes como Daqui

houve nome Portugal (…) e 21 retratos do Porto para o

século XXI (JN, 9 de Fevereiro de 2010)

A minha primeira reacção foi negativa. Mas já reconsiderei.

O que aconteceu é que a Leya quis dar uma ajuda:

num país em que tão poucos lêem, para que era tanto

livro ali a sobrar? Leia, sim, mas o que diz a Leya. O que

outros foram publicando, no tempo em que as editoras

ainda não eram iguais à central da borracha, não interessa

nada – leia o que diz a Leya ou então não leia nada.

Que diríamos se a Nestlé promovesse uma destruição

de papas para bebé, de cereais de pequeno-almoço, de

bolachas, de iogurtes? Diríamos que é um crime contra o

bom-senso e um desrespeito por quem tem fome. E dos

livros que foram para guilhotinar?

 

Luís Fernandes, Professor da Universidade do Porto 

“Público” 02.03.2010

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