Sou do tempo antes da pipoca. No baú das memórias doces da infância guardo a ida dominical ao cinema para ver os filmes da Disney, no São Jorge, com a Cristina, a minha eterna amiga de infância. Nunca mais houve filmes que me soubessem tão bem como esse mundo encantado de príncipes delicados, princesas adormecidas e bicharada que falava.
Houve, há, tantos filmes que me marcaram, me fizeram chorar, reflectir, rir, abandonar a sala. Mas aqueles momentos de cumplicidade, de conversas sussurradas são um espécie de ex-libris da minha meninez. Não se repetem, nem o doce engano de abrir os gomos do tempo e pensar que ele nos pertence todo.
Lembrei-me disto a propósito do novo filme da Pixar, o estúdio de animação que nos deu Toy Story, À Procura de Nemo ou Up – Altamente e quem o festival de Veneza atribuiu um Urso de Ouro. Quebrando um jejum que data de 1986, a Pixar criou um filme de animação que tem pela primeira vez uma protagonista feminina. A acção passa-se nas Highlands, na Escócia medieval, onde a ruiva e destemida Mérida desafia uma sociedade machista. Só este ingrediente, aliado ao génio da Pixar, era motivo mais do que suficiente para arrastar a minha filha mais nova para o cinema (os sacrifícios que uma mami faz, cof, cof). Há, contudo mais um argumento além do girl power. Merida é a primeira princesa de toda a história da animação com o cabelo encaracolado, uma fabulosa juba ruiva. Para conseguir que o cabelo de Merida resultasse bem foram precisos seis especialistas, entre desenhadores e informáticos, e três anos de trabalho. Vou lembrar-me disto naqueles dias em acordar de “bad hair”.
Será que se eu pedir com jeitinho a Pixar passa lá por casa?

Passa. Isso faz parte, até, da política da empresa.
: )
Se me permite dize-lo : o seu cabelo é lindo.
Obrigada pela simpatia Pedro.
Boas férias
Parece-me ser muito giro, este filme:)
‘ abrir os gomos do tempo’
adorei a frase. fácil imaginar um desenho sobre ela
Obrigada Rita. Fico a aguardar o desenho.