Não existe propriedade mais privada os de que gulags da Coreia do Norte, país defensor da propriedade colectiva. O regime autista do “Querido Líder” fecha a porta, nega a existência do pesadelo.
Dos campos “kyo-hwa-so”- que significa “um lugar para tornar uma pessoa melhor através da educação”- escondidos em vales ou no meio das montanhas, por vezes, só se sai para morrer em casa ou na rua. Execuções públicas, tortura, infanticídio, violações de mulheres, abortos forçados, rações mínimas para não morrer à fome. Há um documento bem completo sobre o tema no site do U.S. Committee for Human Rights , que conta com um prefácio de Anne Aplebaum. Uma das vítimas citadas neste documento é Ji Hae-nam. Ela foi acusada de perturbar a “ordem socialista” por ter cantado, “Don’t Cry for Me, Hongdo”, uma música sul-coreana que ouviu na televisão. Foi presa, espancada, violada. Ao fim de dois anos e dois meses libertaram-na. Fugiu para a China onde onde caiu nas mãos de um traficante, que a vendeu como “brinquedo sexual”. Conseguiu escapar ao seu “dono” e foi detida pelas autoridades chinesas que a repatriaram para a Coreia do Norte. Foi de novo enviada para um campo de reeducação, torturada, espancada, abusada. Quando foi libertada tentou de novo a fuga para a China. Desta vez teve a sorte de ter encontrado um homem de negócios da Coreia do Sul, que a ajudou a escapar, através do Vietname, para Seoul, onde obteve asilo. Lembrei-me disto tudo quando lia uma reportagem publicada hoje no “Público”. Vale a pena ler. Porque é preciso não esquecer. Porque há milhares de norte-coreanos cuja vida são instantes de noite e de terror. Porque depois da Alemanha nazi , não podemos fazer de conta que não vimos.
Texto que escrevi aqui em Fevereiro de 2010
The horror…