O preconceito anti-alemão

O actual debate sobre a imigração e a integração mostra que uns já souberam tirar as devidas ilações e outros ainda permanecem reféns de conceitos do passado. Por isso tive de respirar fundo, muito fundo antes de comentar a crónica de hoje do Vasco Pulido Valente. Diz VPV que: 

 “a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, declarou a semana passada em Potsdam, a cidade por excelência do militarismo prussiano, que o multiculturalismo falhara “redondamente” e que dali em diante quem imigrasse para a Alemanha devia falar alemão e aceitar a lei alemã. Esta posição revela com típica brutalidade o fim dessa utopia que é, e sempre foi, a “Europa” e, sobretudo, a “Europa” política e militante que aspirava ingenuamente ao federalismo.”

 Vamos por partes. Não existem direitos, liberdades e garantias sem deveres. E o respeito pela lei nacional, neste caso a norma germânica, é algo básico para o funcionamento da sociedade. Se um cidadão, nacional ou imigrante, falha no cumprimento da lei então sujeita-se a ser sancionado. Como é habitual para alguns comentadores de serviço tudo ganha uma dimensão diferente quando se trata da Alemanha. O preconceito anti-alemão permanece vivo e de boa saúde. Em Portugal pode-se ser anti-alemão à vontade – mesmo que sejam os contribuintes germânicos a pagar os desvarios dos governos lusos – porque, como escreveu a Clara Ferreira Alves, “os alemães têm a fatura de Hitler e do nazismo ainda por pagar e nunca lhes poderia passar pela cabeça ariana dizer que são vítimas de racismo e preconceito. E são.”

 Americanos e canadianos escolhem os imigrantes que querem e falar inglês é um “must”. Por que razão não há-de a Alemanha fazer o mesmo? O que há de errado em exigir conhecimentos linguísticos a quem queira fixar-se no país?  Ninguém é obrigado a deixar de falar turco, francês, inglês ou português, trata-se no entanto de adquirir uma competência fundamental para o exercício da cidadania.

 Muitos recusam-se a encarar de frente o fracasso da utopia multicultural. As liberdades cívicas que tornam a vida tão agradável no Ocidente assentam num compromisso. Num dar e receber. E isso nada tem a ver com o “fracasso” da Europa política. Não se misture portanto o que não deve ser misturado.

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